Eu sempre tive um grande medo. Maior que meu medo de bonecos possuídos
por espíritos (me deixem u.u), maior que meu medo de filmes de terror ou de
insetos estranhos.
Em todas as vezes que me perguntaram qual meu maior medo, a resposta
foi sempre a mesma: solidão. Meu maior medo SEMPRE foi estar sozinho. Olhar
para os lados e não encontrar ninguém que pudesse me abraçar e dizer que as
coisas iam ficar bem.
E é engraçado, porque eu nunca tinha me sentido sozinho. Sempre estive
rodeado de amigos (se não ~reais~, mas pelo menos os virtuais sempre estiveram
lá), de família me mimando e fazendo tudo por mim. Depois que eu me mudei pra
São Paulo então... tenho mais amigos aqui do que achei que teria durante minha
vida toda.
Mas não importa o quão feliz você esteja e o quanto as coisas deem
certo pra você ou o quão amado você se sinta: todo mundo tem dias ruins.
E hoje foi particularmente ruim.
E depois de ir ao dentista (ninguém odeia mais que eu), ser assaltado,
ir pra delegacia e não conseguir nada e terminar a noite chorando como um bebê
em baixo do chuveiro, tudo o que eu posso dizer é que eu nunca me senti tão
sozinho.
Nunca senti tanta falta de um abraço. De alguém que ficasse do meu
lado e com quem eu me sinta protegido. Nunca senti tanta falta da família lá em
Minas. Do namorado que não tenho. Dos amigos que a essa hora estão dormindo ou
fazendo algo mais interessante do que eu, aqui, me deprimindo e escrevendo pra
um blog que não recebia um post há mais de um ano.
Hoje eu tive o pior dia do ano. Eu senti medo. Eu senti raiva. Mas o pior,
sem sombra de dúvidas, foi sentir a falta de alguém aqui.
"Eterna soledad, el tiempo danza en la madrugada, y no puedes dormir si están todas las luces apagadas..."
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